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| imagem criada no ChatGPT |
O relógio mudo na parede aponta zero hora no círculo vicioso do tempo. As pessoas decentes já se foram sobrando na horrível pocilga apenas os perdidos da madrugada. Porta encostada, salão a meia luz e na mesa quatro figuras toscas rodeiam seus copos meio cheios de desejos e meio vazios de vontade.
A Cabeça de
Medusa pairando sobre a mesa, ziguezagueia no intermeio daquelas almas ébrias, ressuscitadoras
de demônios. Está a escolher a vítima da noite, enquanto se agitam falando ao mesmo
tempo sem nada ouvirem um do outro. Encontram-se já no abismo da loucura, dos
chiados, dos mugidos e dos bufares.
Wel-wel-wel...Um
copo entorna, ensopando o tampo nojento. A porta se abre e Algol toma
seu escolhido pelo cangote e o arrasta de quatro para fora. É a noite da
trapaça, do desespero, do mergulho sem volta na ânfora fatal.
O céu se apaga
no breu da escuridão, o chão se abre em ardentes profundezas. A diplomacia e
finesa do maligno se esvaem desesperando a alma tacanha do iludido. É tarde pra
desistir e não se pode mais reclamar do serviço prestado. Está no contrato dos
prazeres e é hora de pagar!

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